Entre 1º de janeiro e 14 de agosto deste ano, comparando com o mesmo período de 2008, o crédito concedido já é de R$ 54,6 milhões para 4.109 consumidores, cifra bem superior aos R$ 13,7 milhões do ano passado que contemplaram 862 contratos. Os dados são referentes ao Construcard, espécie de cartão de crédito da Caixa específico para esse tipo de produto.
Impulsionados pela redução do Imposto para Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de construção, estabelecido em março e com duração até o final de dezembro, os lojistas têm sentido uma melhora no desempenho. “Com a crise econômica, as vendas se mantiveram estáveis, mas recentemente estão aumentando. A tendência é subir ainda mais até o final do ano, quando as pessoas aproveitam para reformar suas casas”, avalia Jorge Franco, gerente da Comercial Ramos na San Martin.
A dona-de-casa Cidália dos Santos, 31 anos, aproveitou os preços mais baratos para fazer uma reforma completa em sua casa, iniciada há quatro meses. O andar de cima, que só tinha a laje, ganhou um dormitório, piscina e churrasqueira. Ontem ela estava escolhendo o piso para completar as obras. “O visual da casa agora é outro, muito mais bonita”, afirmou. Cidália preferiu fazer as compras à vista, adquirindo os produtos à medida que o orçamento permitia. “Quando ficamos adiando o pagamento é pior, prefiro gastar tudo de uma vez e me livrar de dívidas”, diz.
A Caixa avalia que a redução gradual da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, contribuiu para a maior oferta de crédito pelo Construcard. “Melhoramos assim as condições do nosso produto, que passou a aceitar o parcelamento em até 120 meses, enquanto no ano passado era em até 48”, analisa Fabiani Andrade, gerente-geral da agência Pituba do banco. Os juros do Construcard também caíram. Estão em 1,57% ao mês, em oposição a 1,69% do início deste ano (o programa Construcard FGTS tem taxas ainda menores, a partir de 5% ao ano). No Brasil todo, o financiamento do cartão específico para materiais de construção chegou a R$ 2,248 bilhões neste ano. Nos oito primeiros meses de 2008, esse número foi da ordem de R$ 604 milhões.
Para o representante do setor de materiais de construção na Bahia, no entanto, o desempenho deste ano no primeiro semestre foi ligeiramente menor do que o ano anterior. “Esse grande aumento no financiamento da Caixa ainda não chegou às lojas. O crédito é concedido através de um cartão, que tem um prazo até seis meses para ser gasto no comércio. Os consumidores não devem ter efetuado as compras até agora”, explica Geraldo Cordeiro, presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado (Acomac-BA). Porém, ele não possui estatísticas sobre as vendas do setor neste ano.
Além da Caixa, o Banco do Brasil também disponibiliza uma linha de financiamento específica para os materiais de construção. O BB Crédito Material de Construção tem juros a partir de 1,66% e parcela o pagamento em até 60 meses.
Os comerciantes apontam cimento, aço, tinta, piso e tijolos como os produtos mais procurados. “Hoje com as facilidades para a compra, materiais bem acabados, como pias e armários também têm saído bastante. Todo mundo quer arrumar o banheiro ou a cozinha”, diz Manuel Bernardino da Silva, proprietário da Casa Pronta, no Pero Vaz.
Segundo a Acomac, a maior quantidade de consumidores está nas classes C e D. “O maior volume de recursos é proveniente das vendas para a classe A, que compra produtos mais caros. Mas as pessoas das classes C e D são as que mais compram, sempre estão ampliando suas casas”, explica Cordeiro. Ele recomenda, no momento da reforma, consultar um engenheiro para avaliar o tipo de material necessário para as obras. |