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17/06/2010
Execução da cobertura será o principal desafio técnico da reforma do estádio Beira-Rio para a Copa de 2014.
Fonte: Piniw
Resumo: Cícero Santini, arquiteto responsável pelo gerenciamento das obras de modernização do estádio em Porto Alegre, fala sobre as intervenções previstas e sobre sua visita técnica às arenas da África do Sul.
O arquiteto responsável pelo gerenciamento da reforma e modernização do estádio Beira-Rio, do Sport Club Internacional de Porto Alegre, para a Copa do Mundo de 2014, Cícero Santini, embarca no próximo dia 22 para África do Sul. O objetivo é verificar a conclusão das obras e como cada estádio seguiu o caderno de encargos da Fifa (Federação Internacional de Futebol).


Projeto do Beira-Rio para 2014. Estádio receberá uma nova e moderna cobertura, construída em estrutura metálica. A estrutura será projetada em módulos, permitindo a construção rápida e em etapas e evitando o fechamento do Beira-Rio.

"Queremos ver na prática como funciona um estádio de Copa em dia de jogo nos mais diferentes aspectos, desde a segurança e acesso do torcedor, o espaço de imprensa, estacionamento, entre outros pontos", afirma o arquiteto, que é responsável pelo gerenciamento do projeto arquitetônico e de 25 projetos complementares. Segundo Santini, embora a obra efetiva do Beira-Rio já tenha previsão de início para agosto deste ano, detalhes da cobertura, entorno do estádios e outros aspectos do empreendimento só serão definidos após a viagem à África. "Há uma série de questões que a gente vai avaliar pensando na viabilidade do nosso projeto", conta.

Em entrevista ao portal PINIweb, o diretor da Santini e Rocha Arquitetos fala de outros detalhes da visita à África do Sul e principais desafios da obra do estádio que representará o Rio Grande do Sul no Mundial de 2014. Confira:

Esta é a segunda vez que você vai visitar a África. Quais foram as lições técnicas tiradas para o Beira Rio durante a primeira viagem?
Fui com a minha equipe para a África do Sul em abril de 2009, quando os estádios ainda estavam em meio às obras. Naquele momento, procuramos ver se havia alguma evolução técnica que poderíamos aproveitar aqui no Brasil, porque os estádios africanos foram feitos por empresas da Europa e dos Estados Unidos, ou seja, com arquitetura e engenharia de primeiro mundo. Percebemos, no entanto, que não havia nada muito diferente do que é feito no Brasil.

E agora, quais são os objetivos dessa nova visita?
O objetivo é ver como estão os estádios em funcionamento, ver de quer forma foram implantados os critérios do Caderno de Encargos da FIFA, até que ponto ele foi atendido, como estão as áreas comerciais e de acesso em funcionamento, a segurança das arenas, os tempos de entrada e saída dos torcedores etc. Enfim, há uma série de questões que a gente vai avaliar pensando na viabilidade do nosso projeto.

Então, ainda há uma série de aspectos a definir no projeto do Beira-Rio. O que já está certo para o estádio?
Só está definido aquilo que é exigência da FIFA, como a cobertura, a adaptação das arquibancadas inferiores, a implantação de cadeiras, a criação de mais camarotes, a modernização dos sanitários, da praça de alimentação, da circulação interna e iluminação.

E quanto à parte externa? O projeto inicial previa a criação de um edifício garagem, de um hotel, da modernização do Gigantinho, isso já foi descartado?
Foram levantadas várias possibilidades nos estudos iniciais, que ainda estão sendo avaliadas. O edifício garagem não é exigência da FIFA, por exemplo, é uma vontade dos sócios do Internacional. A verdade é que o projeto está voltado para a Copa de 2014, mas também para o conforto dos associados do clube, que são mais de 100 mil. A mesma coisa vale para a questão dos hotéis e da modernização do Gigantinho, que vai ser transformado em arena multiuso, isso tudo está sendo visto juntamente com a obra do estádio. Mas ainda é preciso analisar do ponto de vista financeiro.

Tecnicamente, qual é o maior desafio da obra?
A estrutura metálica da cobertura é o caminho critico do projeto, em função da membrana de PTFE (Politetrafluoretileno) que a envolve, que tem de ser adquirida no exterior, e do seu tamanho. A estrutura é um pouco fachada, um pouco cobertura, saindo do chão e cobrindo as arquibancadas, é bastante complexa. Com certeza o maior desafio da obra.

A ideia do Internacional é de que o estádio continue funcionando durante a reforma. A logística da obra não se torna um desafio então?
A questão de não fechar o estádio é uma tendência que pode ser modificada se os resultados não forem positivos. O pedido do Internacional é não parar o estádio, mas pode ser que financeiramente isso tenha que ser modificado. Obras semelhantes na África do Sul, como o estádio da cidade do Cabo, por exemplo, precisaram de 12 a 14 gruas no interior do estádio. Ainda não sabemos como será feito o gerenciamento da obra, nada foi decidido.

A escassez de mão de obra e de equipamentos pode ser um problema para as obras?
Na África do Sul, vimos que esses dois fatores foram grandes problemas. Os construtores tiveram até mesmo que fazer a estrutura metálica na Alemanha e no Kuwait, já que não existia mão de obra interna para montar essas estruturas no próprio País. Ao contrário, aqui se tem uma situação privilegiada porque temos várias empresas preparadas para fornecer e montar essa estrutura no Rio Grande do Sul. Mas, claro, tudo são avaliações a priori. As coisas podem mudar...

No momento, no que a diretoria do Internacional trabalha? Qual a previsão para que a obra comece?
Estão sendo feitas algumas avaliações econômicas de como será construído o estádio, se por licitação, empreitada global, gerenciamento etc. Em termos de obras, temos uma parte pequena em execução atualmente, como estruturas auxiliares. Já foram construídos o Museu e a parte da loja do estádio também. A obra em si deve ser iniciada em agosto.
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