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02/02/2009
O governo volta ao jogo.
Fonte: Construção Mercado.
Resumo: Com o caixa cheio e temendo desaceleração econômica, governos injetam recursos na construção civil, de olho nas eleições de 2010.
Historicamente as crises financeiras mundiais têm sido corrigidas, com mais ou menos força, por meio de cortes das taxas de juros e do aumento do investimento público em projetos de grande envergadura, principalmente na área de infraestrutura, de forma a reativar a economia.

A atual conjuntura global de escassez de liquidez não foge à regra. Com a retração do combustível da iniciativa privada - o crédito -,a máquina pública, que tem arrecadação garantida, volta ao epicentro da cena como impulsionador do mercado. No "coração" da crise, nos Estados Unidos, o governo já injetou bilhões de dólares em bancos, montadoras e hipotecas. O novo presidente, Barack Obama, centrou sua estratégia de recuperação econômica no lançamento do maior investimento em infraestrutura dos últimos 50 anos. Mundo afora, os pacotes de auxílio governamentais já ultrapassam os US$ 6 trilhões.

A ampliação da influência do governo sobre o ritmo do mercado é incontestável também no Brasil, e tende a crescer com a proximidade das eleições presidenciais. Com um caixa de US$ 215 bilhões em reservas, fruto do acúmulo do superávit primário (a economia entre a arrecadação de impostos e os gastos do governo) e de uma pesada carga tributária nos últimos anos, o Banco Central e o Ministério da Fazenda têm conduzido políticas setoriais de injeção de capital nas indústrias de agricultura, transportes, automotiva e de construção civil, irrigando os setores produtivos com recursos.

As medidas fortalecem a importância dos bancos públicos. Não é a toa que, em outubro, enquanto o saldo de crédito das instituições privadas cresceu míseros 1,2%, as públicas ampliaram suas linhas em 5,2%, garantindo 60% do aumento no saldo das operações de empréstimo do sistema financeiro nacional. No mês imediatamente anterior às bruscas quedas do Ibovespa, o peso dos bancos estatais no estoque total de crédito não ultrapassava os 34,9%.

Foi nesse contexto que a Caixa Econômica Federal, que nos últimos dois anos havia perdido fatias de sua tradicional hegemonia no crédito imobiliário, com o aumento de bancos operando com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e poupança, registrou volume recorde de financiamentos habitacionais e, em outubro, quando a totalidade das instituições financeiras privadas retraíram as concessões, bateu um novo recorde mensal na oferta de crédito para empresas, com R$ 4,5 bilhões.

O Banco do Brasil, que nunca havia entrado no mercado de crédito imobiliário, não só estreou na modalidade como revela suas intenções de figurar entre os três maiores agentes desse segmento até 2012. E o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que já havia expandido em 47% os financiamentos do sistema financeiro da habitação até agosto de 2008, espera alcançar a cifra de R$535 bilhões em investimentos totais no setor até 2011, além de ampliar sua participação nas companhias em que detém ações.

Mas o chamariz das medidas governamentais de combate à retração da iniciativa privada é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), visto como estratégico para o sucesso do PT nas eleições presidenciais de 2010, ano em que a maioria dos projetos de infraestrutura será inaugurada. De acordo com um estudo realizado pela RC Consultores, o triênio 2008-2010 deve concentrar 71% de todo o montante de R$ 506 bilhões em recursos envolvido pelo Programa, aquecendo a contratação de serviços para grandes obras públicas.

Cerca de 40% do volume de capital direcionado será aplicado na região Sudeste, que compreende os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com obras importantes como programas de saneamento e urbanização de São Paulo (R$ 24 bilhões) e a exploração de gás na Bacia de Santos (R$ 12 bilhões). As estatais deverão concentrar 32% ou R$ 160 bilhões da demanda, mostra o levantamento. Só a Petrobras pretende contratar R$ 81 bilhões em projetos. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) estima que no biênio 2009-2010 serão aplicados cerca de R$ 200 bilhões em infraestrutura, considerando recursos públicos e privados, e de todas as esferas de governo, inclusive empresas estatais.

Entre os empreendimentos, destaca-se ainda o PAC da Copa, cujo apito será dado em dois meses, março de 2009, quando as cidades-sede serão finalmente definidas. Estima-se que serão necessários R$ 40 bilhões em investimentos para a realização da Copa 2014, com recursos capitaneados via parcerias público-privadas. Parte da verba será destinada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), com os patrocínios da seleção brasileira. Já os investimentos em infraestrutura nas cidades onde acontecerão os jogos (estradas, aeroportos e sistemas de telecomunicações) devem ficar a cargo de cada Estado.

Via crédito, investimento ou contratação de obras, uma coisa é certa: o governo voltou ao jogo. Nas próximas páginas, Construção Mercado apresenta as estratégias de atuação do Estado por meio de seu Programa de Aceleração do Crescimento, Caixa EconômicaFederal, Banco do Brasil e das obras do maior evento midiático do planeta, a Copa do Mundo.
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